A guerra de Ogum e Nanã

nana (1)

Nanã, Senhora de Dassa Zumê, elegante senhora, nunca se meteu ou se preocupou com o que este ou aquele fazia de sua própria vida.

Tratou sempre de si e dos filhos, de forma nobre, embora tenha sido sempre precoce em tudo.

Entretanto, Nanã sempre exigiu respeito àquilo que lhe pertencia.
O que era seu, era seu mesmo.
Nunca fora radical, mas exigia que todos… respeitassem suas propriedades.

E, vemos novamente Ogum “quizilado”com ela.
Viajante, conquistador, numa de suas viagens, Ogum aproximou-se das terras de Nanã.

Sabia que o lugar era governado por uma velha e poderosa senhora.

Sabia que se quisesse, não seria difícil tomar as terras de Nanã, pois para Ogum, não havia exército, nem força que o detivesse.

Mas Ogum estava ali apenas de passagem.
Seu destino era outro, mas seu caminho atravessava as terras de Nanã.

Isto ele não podia evitar e nem o importava, uma vez que nada o assustava. Ogum nada temia.

Na saída da floresta, Ogum deparou-se com um pântano, lamacento e traiçoeiro, limite das terras de Nanã.
Era por ali que teria que passar.

Seu caminho, em linha reta, era aquele, por pior que fosse e não importando quem dominava o lugar.
O destino e objetivo de Ogum era o que realmente lhe importavam.

Parou à beira do pântano e já ia atravessá-lo quando ouviu a voz rouca e firme de Nanã:
- Esta terra tem dono. Peça licença para penetrar nela!

No que Ogum respondeu em voz alta:
- Ogum não pede, toma! Ogum não pede, exige! E não será uma velha que impedira meu objetivo!

- Peça licença, jovem guerreiro, ou se arrependerá!
Retrucou Nanã com a voz baixa e pausada.

- Ogum não pede licença, avança e conquista!
Para trás, velha, ou vai conhecer o fio da minha espada e a ponta de minha lança!

Ogum avançou pela pântano, atirando lanças com pontas de metal contra Nanã.

Ela, com as mãos vazias, cerrou os olhos e determinou ao pântano que tragasse o imprudente e impetuoso guerreiro.

E assim aconteceu…
Aos poucos, Ogum foi sendo tragado pela lama do pântano, obrigando-o a lutar bravamente para salvar sua própria pele, debatendo-se e tentando voltar atrás.

Ogum lutou muito, observado por Nanã, até que conseguiu salvar sua vida, livrando-se das águas pantanosas e daquela lama que quase o devorava.

Ofegante e assustado, Ogum foi forçado a recuar, mas sentenciou:
- Velha feiticeira! Quase me matou! Não atravessarei suas terras, mas vou encher este de pântano de aço pontudo, para que corte sua carne!

Nanã, impassível e calma, voltou a observar:
- Tu és poderoso, jovem e impetuoso, mas precisa aprender a respeitar as coisas. Por minhas terras não passarás, garanto!

E Ogum teve que achar outro caminho, longe das terras de Nanã.

Esse Itan (Lenda) dá uma breve explicação da quizila de Nanã e Ogum. Uma das razões de não se usar o obé (faca) nos rituais de Nanã que por sinal não aceita homens no seu culto. Por isso, no sirè de orisá os homens não dançam para este orisá. Nanã é tida como o orisá da morte, da transformação. Sua cor é o roxo, faz parte da “familia da palha” que é composta por: Ossaim, Omolu, Obaluaiê, Osumare e Ewá.

É considerada a divindade mais antiga e cultuada que se conhece . Carrega nas mãos um IBIRI , feito com talo de dendezeiro e ornado de búzios e panos de suas cores . Leva uma coroa de palha da costa com búzios e miçangas . O IBIRI dá-lhe o poder sobre a vida e a morte . O pé de OBI e o seu fruto lhe pertence . O fruto representa o corpo . A ave ONIMI ( coruja ) é seu principal fundamento . Nem todas as qualidades de NÀNÁ podem ser feitas , pois um pequeno erro chama IKÙ . É a dona do portal da vida e da morte .

Algumas qualidades de Nanã: AJAPÀ, OMILARÉ, YBAIN, ABENEGI, OBAIA, ADJAOCI e BAIN etc.. Isso também dependendo da nação.

Além do roxo, Nanã pode pegar o branco dentre outras, mas como eu disse depende de cada nação e de cada asé.

1 comment

  1. giovana - 3 de novembro de 2013 9:05

    e jenti n se deve brincar com Ogum e nana por que os dois n se bicam e são poderosos…

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